terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

INFERNO ASTRAL


É Janeiro de 2009, os dias vão passando em direção a data de aniversário, choro, estou em crise, em crase, ampliada todas as sensações.

Quero ir de volta pra onde nunca estive, viver com quem não sabe meu nome ser anónima, ter anima, resgatar minha alma minha auto estima, um trabalho diário e um salário mensal, quero férias de família, quero presente de amor, quero ser querida e fechar feridas abertas por palavras inquietas e mentes perversas.

O tempo passa o temperamento não muda, fico muda e vou derretendo em lágrimas que vertem como chuva criadeira resposta de preces dos romeiros que pede a Deus e aos santos por esperança, lágrimas sem esperança espremida que fosse entre a tristeza e o movimento.

Sinto a vontade de fugir pra longe pra dentro da casa que não construí, não falar mais com minguem que não tenha respeito ou sensibilidade de perceber a pessoa frágil que mora atrás do muro de pedra que pareço ser.

Dia após dia fui vivendo como obrigação, como falta de escolha, muitas vezes tentei parar de respirar, de não participar, de estar ausente de toda esta convenção social familiar que massacra e não permite escolhas não aprovadas, estou de volta ao colo da fera me sinto banquete de pernilongo, de palavras e desaprovações me chegam como pequenas picadas que coçam sem parar, pequeninas doses de veneno que espalham dores por toda a memoria.

Dia após dia, noite atrás de noite, monte a monte, vou levando como a um fardo, pergunto o que esta trazendo de bom essa imobilidade esta tristeza infunda, sem trégua.

È como se de novo a criança que fui sofresse novamente o abandono emocional, depois de viver quase meio século de passar por milhares de quilómetros de ter aborto e filhos e ainda assim uma velha criança, que não dança não brinca e nem tem amigos chora só sem ninguém.

Onde esta minha alegria?

Sei ser espontaneamente alegre, espirituosa, sei das minhas qualidades, pra que esperar de meu velho pai ou de meus irmãos e tias uma aprovação um elogio, porque dói tanto não ter deles o carinho estilhaçado e nunca recebido, não tenho moeda de troca não ofereço meu sacrifício, por que então tanta dor?