Eu não pertenço a este mundo...
Não é a toa que meus filhos não se encaixam a esta família onde nasci e de onde herdei meus sobrenomes, hoje sinto toda a tristeza de alma que alguem pode sentir, ontem no restaurante do meu pai mais uma vez através de uma discussão com minha irmã mais velha senti tudo de novo, a clareza de que eu incomodo, eu provoco com meu jeito de ser um aborrecimento, pairo acima das desgraças da vida não coloco tristeza no meu rosto mesmo que isso me deixe aniquilada, confio que existe uma força maior que me sustenta, não sei se é exatamente minha fé ou o que quer que seja, sei que desde pequena sou determinada a sobreviver apesar da adversidade da vida, nasci com dificuldade, por problemas de saúde da minha mãe, pré eclampsia, cesária experimental, a terceira que o medico realizou, soube pela boca deste doutor, que esteve por algum tempo como meu “sogro”(namorei o filho dele na adolescência), tive sérios problemas com a alimentação, fui magricela e “doentinha”por toda a infância, operei de garganta aos 3anos quando o recomendado era aos 6anos, o sentimento de não pertencimento me acompanhou por toda a minha infância e juventude, até enlouquecer, surtar e tentar passar a força pela porta da morte, tentar me libertar desta força opressiva da família que não me acolheu nem ontem nem nunca, eu sobrevivi, venho sobrevivendo, estou dentro de um quarto com minha única filha, linda perfeita, que se sente uma estranha no ninho desta mesma família. Hoje refletindo sobre o tema cheguei a conclusão de que estas pessoas sempre quiseram um louco expiatório para a própria incapacidade ao amor e a felicidade, e por mero acaso sem sorteio ou intenção fui escolhida para o personagem, mas, como Deus nos dá o frio conforme o cobertor, ouso dizer que não foi a toa a escolha, pois posso sobreviver a estes ataques. Apesar de ter sofrido, até compreender que não sou eu, apesar de ter ido ao fundo do poço a ponto de passar por um hospício na adolescência, buscado a fuga nas drogas como ansiolíticos e maconha,
casado cedo com um homem que nunca me valorizou, nem ter conseguido firmar uma carreira, sobrevivi, choro pouco e sorrio muito, tenho crises de insegurança mas confio em que sempre haverá bons momentos a serem vividos, consegui ter, criar e ver meus filhos perfeitos e buscando a felicidade com os próprios recursos.
Hoje posso afirmar com alegria, I'm survive, posso cantar, passo raiva mas sobrevivo a cada um dos achaques e ataques, as maledicências e mal querencias, estou determinada a ser feliz, sou dona do meu nariz e “com meu braço faço o meu viver”*, tenho opinião busco minha razão, não uso drogas nem fujo da realidade, acredito no amor, faço do meu alimento meu remédio, ainda tenho muito o que melhorar, evoluir como ser humano, tenho amigos, tenho filha, filhos, noras e em breve neto, possuo terra neste planeta, farei minha casa bacana com técnicas alternativas, quero aprender cada vez mais, mas sobretudo quero amar meus inimigos, daí estarei a um passo da perfeição, e então pessoas, não me segurem pois meu caminhar será rumo as brilhantes estrelas!
*MUSICAS DE MILTON NASCIMENTO.